O mercado de trabalho está, sim, pedindo revisão. E não é por moda, exagero ou “mimimi”. É porque muitos formatos simplesmente deixaram de funcionar — tanto para profissionais quanto para empresas. E isso se aplica, de forma muito direta, ao mercado de academias.
Vagas que nunca se concretizam, processos seletivos longos, expectativas irreais de entrega e a velha lógica do “o melhor profissional pelo menor custo” têm criado um ambiente de frustração, desgaste e desconexão. Quando não repensamos a forma como estruturamos cargos, definimos entregas e equilibramos expectativas, o resultado é previsível: profissionais se desligando — alguns de forma silenciosa, outros nem tanto.
Hoje, emprego não é mais sobre presença física ou horas cumpridas. É sobre resultado, bem-estar e alinhamento.
O que muita gente chama de exagero nas redes sociais é, na verdade, um sintoma. Sintoma de um mercado que mudou rápido demais — e de empresas que continuam insistindo em modelos antigos de contratação, gestão e cobrança. Falar sobre isso não é reclamação. É falar de eficiência, atração de talentos e sustentabilidade do negócio.
O problema não é o trabalho. É o formato.
Não dá mais para fingir que o mundo voltou a ser como antes. As pessoas não estão rejeitando trabalhar. Elas estão rejeitando modelos engessados, falta de autonomia, jornadas longas sem critério e presença física sem propósito.
Quando o formato de trabalho não acompanha a realidade, surgem comportamentos como desengajamento silencioso, baixa entrega emocional e aquela sensação de “estar, mas não estar”. Isso não é preguiça. É desalinhamento estrutural.
No mercado fitness, isso aparece de forma clara: professores acumulando funções sem escopo definido, líderes sobrecarregados, equipes comerciais pressionadas por metas pouco realistas e gestores apagando incêndios diariamente. O problema não é esforço. É falta de organização, clareza e direção.
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A lógica do “melhor por menos” está cobrando seu preço
Existe uma verdade incômoda que precisa ser dita: muitas empresas querem profissionais excelentes pagando pouco — e cobrando muito. Essa conta não fecha.
O resultado são processos seletivos longos e frustrantes, vagas que não se sustentam, alta rotatividade e times constantemente sobrecarregados. Quando o discurso é alto e a proposta é baixa, o talento percebe rápido. E quem fica, muitas vezes, fica no limite.
No fitness, isso se traduz em academias que reclamam da falta de profissionais qualificados, mas não revisam salário, jornada, estrutura de crescimento ou condições reais de trabalho. O mercado mudou — e o perfil dos profissionais também.
Carga de trabalho alta não é sinônimo de abuso. Falta de critério, sim.
Nem toda carga alta é abusiva. O problema começa quando tudo é urgente, não há escopo claro, faltam prioridades e pessoas precisam compensar falhas de processo. Trabalhar muito sem direção gera desgaste, não resultado.
Cargas abusivas surgem quando não há clareza do que realmente importa. A solução não está em exigir mais, e sim em organizar melhor: definir entregas com foco em resultado, revisar escopo e funções, capacitar lideranças para priorizar e ter conversas francas sobre limites e capacidade.
Gestão não é pressão constante. Gestão é escolha inteligente.
Empresas rígidas estão contratando pior — e pagando mais caro
Flexibilidade não é benefício extra. É estratégia de atração e retenção. Empresas que não flexibilizam perdem bons candidatos no processo, acabam contratando por falta de opção, gastam mais com turnover e convivem com equipes cansadas.
No mercado de academias, flexibilidade não significa perder controle. Significa entender a realidade do negócio, medir melhor, confiar mais e liderar de verdade. Modelos híbridos, jornadas mais bem estruturadas, autonomia com responsabilidade e liderança preparada fazem diferença — inclusive no resultado financeiro.
O ponto central continua sendo o alinhamento de expectativas
Tudo volta para um tema-chave da BrainFit: alinhamento de expectativas não é detalhe. É base. Quando empresa e profissional não alinham formato, carga, entrega e contrapartida, o contrato psicológico se quebra — mesmo com contrato assinado.
O mercado não está “difícil”. Ele está mais consciente. Quem insiste em modelos antigos vai continuar dizendo que “ninguém quer trabalhar”. Quem evolui vai perceber algo muito mais simples e poderoso: as pessoas querem trabalhar melhor, com clareza, respeito e sentido.
Isso não é tendência. É sobrevivência organizacional.
O que você pensa sobre isso?
Me mande uma mensagem.
Cris Santos
BrainFit – Gente & Gestão